sábado, 3 de maio de 2014

Dança dos Versos

DANÇA DOS VERSOS
(Por Maristela Ormond)

E as letras, as palavras, os versos,
Esvoaçam pelos cantos,
Feito pássaros que vagam pelo universo,
E buscam no ninho acalanto.

As paginas voam ao vento,
E as letras, palavras e versos,
Espalham-se por um momento,
E ao longe há um som controverso...

Alguns discordam dos pedaços que esvoaçam,
Perguntam o que seriam essas letras,
Qual o significado das palavras que os ameaçam?
Outros balbuciam e atentam para a orquestra.

Enfim as palavras se aninham num caderno.
Num compasso languido e suave.
Todos compreendem o sentido mais terno.
E uma canção entoam na mais singela clave.



sexta-feira, 25 de abril de 2014

LACUNA

LACUNA
(Por Maristela Ormond)

Preencha-me como a uma
Lacuna de atividade escolar.
Atente para que essa atividade
você não pode errar.
Preencha-me como se estivesse
começando um caderno novo.
Com capricho, com carinho,
E se não ficar bem feito,
Corrijo-te bem baixinho.
Preencha-me de preferência,
Com uma caneta fina,
Com sua letra mais mimosa,
Como sonho de menina.
Nada de corretivo, nada de erros
enganados, distraídos...
Pois as palavras que usará serão fáceis:
Amor, compreensão, carinho.
Dar-te-ei então um dez, com a diferença
de que te farei repetir,
Porque amor, não podemos pedir...




UIVOS PARA A LUA

UIVOS PARA LUA
(Por Maristela Ormond)

Movimentos insanos,
Rodeados do cheiro de relva pisada.
Uivos clementes para a Lua Cheia.
Noite clara, mistérios que
Rondam e enfeitiçam...
Nuvens que correm fazendo
do vento um açoite.
Uma loba se transforma
na penumbra da noite,
Farejando o amor que ensandece
seu corpo.
A pelagem se esvai,
sendo levada ao vento.
Surge a mulher, como um novo anticorpo.
Longos cabelos, sua nudez macia e cálida,
deitada na relva, banhada pela luz da Lua.
Loba mulher, Mulher Loba, aberração?
Quem de nós não se metamorfoseou
um dia, farejando freneticamente
o lobo que que tocará seu coração?



sábado, 19 de abril de 2014

CHUVA MIÚDA

CHUVA MIÚDA
(Por Maristela Ormond)

Chuva miúda que vem,
Esfriar o corpo quente,
Faz da dor muito latente,
O aprendizado do bem.
Chuva miúda que passa
E afasta toda gente,
Mostrando que quando escassa
Mais separa o contingente.
Quanto mais próximos estamos,
Mais aquecemos o peito.
Quanto mais nos afaçamos,
O mundo será perfeito...



REAÇÃO

REAÇÃO
(por Maristela Ormond)

A natureza responde
A todo mal que lhe fizermos,
A natureza não esconde
Sua mágoa se a maldissermos.
A Mãe Natureza é bendita,
Mostra a face mais bonita,
Mas o homem que a habita,
Não reconhece e acredita.
O tempo passa depressa.
Às vezes não o reconhecemos,
São respostas e promessas

Que ainda desconhecemos.

PARTIDA

PARTIDA
(por Maristela Ormond)

Parto pra qualquer lugar,
Para não me lembrar de você.
Parto para não te ver.
Parto para te esquecer.
Parto pode ser dolorido,
Seja qual for o sentido,
Partir é verbo de ação,
Repartir é partir várias vezes,
Para não ouvir o seu não,

Pra não doer no coração.

FRASCO DE AMOR

FRASCO DE AMOR
(por Maristela Ormond)

Encontrei um frasco
Provavelmente de perfume, lindo!
Olhei, analisei e intui que seria algo basco...
Inspirou-me, ali deveria ter tido algo que seria infindo.
Lembrei-me da lâmpada de Aladim
E pensei, seria algo mágico?
Tomei-o como se tivesse sido mandado para mim.
Pegá-lo seria assim tão trágico?
De repente o inusitado aconteceu,
O frasco começou a encher-se de amor.
Ao mesmo tempo, tudo escureceu.
Sem que me desse conta, como um torpor.
Adormeci onde estava,
Tomada de um ímpeto febril,
Sem ter consciência de que falava
Com alguém de uma voz muito sutil...
Ao acordar, foi como um sonho,
Estava nos braços de alguém,
Que me dizia “eu te proponho”,
Encha teu frasco de amor e poesia e nele
Também eu componho...




quarta-feira, 16 de abril de 2014

sábado, 12 de abril de 2014

terça-feira, 11 de março de 2014

Somente Por Ti


GAROTO NO MURO

GAROTO NO MURO
(Por Maristela Ormond)

Olho o garoto no muro,
Sorriso banguela,
Maroto e obscuro.
Olho através da janela,
O garoto peralta,
Que pensa na bola
Que corre muito alta,
Mas não vai a escola.
Olho o garoto no muro,
Pensando em arremessar
Um chute no escuro,
No papel que acaba de amassar.
Olho o garoto no muro,
Pensando na escola,
No papel do pão que ficou duro,
Que prega palavras da revista com cola (de farinha)
Olho o garoto que queria escrever,
Que olha as letras, sem conhecer,
Olho a ânsia que tem de poder comparecer
a escola e palavras aprender...
Olho o garoto sabido,
De olhar sonhador, apoiado no muro.
Olho o garoto perdido,
Colando papéis, sonhando com o futuro...




TANTA TINTA

TANTA TINTA
(por Maristela Ormond)

A menina pinta,
E não percebe
Quanta tinta
Quanto elogio recebe.

A menina cresce,
E pinta, pinta o sete,
Pinta e floresce
E até vira manchete.

A menina pinta,
Vira mulher,
Usa muita tinta,
Pintando um malmequer.

Malmequer, bem me quer,
Não percebe que pintou
E tanto borrou,
Que o tempo passou.

Olhou nos olhos pintados,
De outra mulher,
E descobriu que pintar,
Não é para quem quer...




SENSIBILIDADE
(por Osny Alves e Maristela Ormond)

Algo dentro da gente,
Algo que nasce com os homens,
Que as vezes, é meio imprudente,
Sentimentos que se tornam belos,
Ou simplesmente carcomem...
Falo de sensibilidade,
Falo de doçura, amabilidade...
Que por muitas vezes,
Tornam-se sinônimo de lealdade.

Quem dera esse ser sensível,
Morasse dentro de mim, tal qual a magia do rímel,
Ou a real beleza de um jardim.
Ficaria eu confiante em escrever tudo que sei,
E deixaria de ser como antes,
E seria algo que sempre imaginei.
Um pouco dessa escrita
Que escrevemos com nossos olhos,
Com a caligrafia coerente e bonita,
da cor dos nossos sonhos.






terça-feira, 4 de março de 2014

A Voz Que Tanto Ouço


Surge atrás da orelha
Aquela coisa... Comichão,
Ao branco... Deixa vermelha
Ao negro quase azulão!
Dizem que falam da gente
Mas acho que é superstição
Pois surge assim de repente
Tal qual aparece à paixão!
Surge também na mente
Aquele sonho, imagem e ação...
Que acelera tão simplesmente
E dá taquicardia no coração!
Essa voz que tanto ouço,
E que me faz delirar,
Não me põe num calabouço
Mas me leva a abençoar
Todo poeta assim sente
Independente a cor que escolhem
Todo coração latente,
Poesia e amor acolhem.
Isso é a inspiração,
Que comicha em nosso ser.
 Isso é uma grande atração.
Por palavras que suscitem ao coração aquecer.


Maristela Ormond & Osny Alves

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Sou Teu Vinho

... Eu sou aquele vinho
Que escorre do gargalo,
Com teor de carinho
Que você diz amá-lo!
Que preenche o seu corpo
E o deixa sempre cheio
Tal qual enche teu copo
E o mínimo é o meio!
Aquela cor tom de paixão
Em tua alma transparente
Que arrebata-nos do chão
De uma maneira atraente
Eu sou aquele vinho
No som a meia luz
Que lhe pega com jeitinho
E aos poucos lhe seduz!
Um vinho envelhecido
Requintado é meu sabor
Mesmo após ter anoitecido...
Sou o reflexo genuíno do amor!

Osny Alves

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

MARIA,MÃE,MULHER.


DE REPENTE...

DE REPENTE
(Maristela Ormond)

De repente você entrou em minha vida,
Assim, de repente, sem pedir licença.
De repente meus olhos fitaram os seus,
De repente minhas mãos, uniram-se às suas.
De repente meus lábios tocaram os seus.
Assim... De repente, sem pedir licença.
De repente meu coração bateu forte.
De repente encontrei seu sorriso.
De repente comecei a te amar.
Assim, de repente, sem pedir licença.

SEM PALAVRAS.

SEM PALAVRAS
(Maristela Ormond)

Sorri e não fui correspondida.
Chamei e não fui atendida.
Olhei e não fui mirada.
Amei não fui amada.
Sofri e fui satirizada.
Chorei e fui sacrificada.
Xinguei e fui mais insultada.
Gritei e passei por irada!
Nasci e fui quase jogada.
Vivi e fiquei chocada.
Morri e sou admirada.


FOTOGRAFADA


FOTOGRAFADA
(Maristela Ormond)


Mania esta que eu tenho,

De fotografar você em minha mente,

Como um flash misterioso

que se acende e se apaga.

Mania esta que eu tenho de pensar,

que também estou sendo fotografada...





sábado, 1 de fevereiro de 2014

O Outro Eu

Passam imagens por minha cabeça
E dos sonhos lindos que já compus,
E eu espero que jamais me aconteça
O que fora escrito assim em meia luz.

Aquele que pintam ser conquistador
No reino imaginário da maior utopia,
Com um olhar mais que encantador
Um amor aprisionado pela fantasia!

Um cara que olha no fundo da alma
E sem piedade ele ataca e conquista
Ele aparentemente te tira da lama
Onde vem imponente e determinista.

Onde as pessoas almejam ser ele
Alguém amoroso e sentimentalista
Que escreve sempre a flor da pele
Mas é feio, frio, também calculista.

Eu falo do monstro que há em mim
E daquele eu que nem eu conhecia,
E quando ele surge tenho medo sim
Ele é quem já fez a mais bela poesia.

Todos tem um monstro dentro de si
E que vai ver sem tal pudor abomina,
E esse mal é muito terrível eu já o vi
E só é controlado por força divina...

Ele no trono e o calabouço me coube
Ele foi rei enquanto de lá eu o via
Pois eu o deixei sempre no controle
O meu me fez perder tudo que tinha

Dome a besta do teu monstro
Que ao olhar no espelho o vê,
E no reflexo mostra teu rosto
O mesmo que tenta esconder!
Osny Alves